lunes, 19 de octubre de 2015

A batalha das ideias nos Projetos de Lei nano

Desfrutem do texto de nossos escolhidos por Minerva e da resposta mais abaixo que rebate as falacias...





Até, Santiago


Carta da ABC em resposta aos relatos dos Projetos de Lei 5133/13 e 6741/13

Todas as tentativas de regulação da nanotecnologia, nos diferentes países, têm sido prejudicadas pela confusão sobre a sua definição. Há muitas definições e várias se referem ao estudo e controle de fenômenos e materiais em escalas de comprimento inferior a 100 nm.
A definição utilizada pela National Nanotechnology Initiative (NNI) dos Estados Unidos estabelece que "nanotecnologia é a compreensão e o controle da matéria em dimensões na faixa 1-100 nm, onde fenômenos únicos levam a novas aplicações. Abrangendo ciência, engenharia e tecnologia na nanoescala (1-100nm), a nanotecnologia envolve imagear, mensurar, modelar e manipular a matéria nesta escala de tamanhos." A faixa preconizada nesta definição abrange os tamanhos de moléculas e de pequenas partículas formadas por átomos e moléculas pequenas, tendo portanto uma enorme abrangência.

Nenhuma definição estabelece que um nanomaterial tenha uma composição específica. Por isso, todas elas abrigam uma variedade enorme de tipos de nanomateriais, incluindo as nanopartículas orgânicas e biodegradáveis utilizadas nas áreas da medicina, cosmética e indústria alimentícia, que são muitas vezes constituídas de óleo, água e alguns outros componentes igualmente inócuos. Por exemplo, o leite materno e a maionese.
Existem ainda as nanopartículas e nanoestruturas metálicas e de carbono, utilizadas nas indústrias de catalisadores, de tintas e no tratamento de água pelos municípios, produção de caixas de som, remediação ambiental, indústria aeroespacial e em centenas de outros exemplos. Um terceiro tipo são os nanotubos e outros materiais constituídos basicamente por átomos de carbono, com aplicações potenciais na fabricação de LEDs, células fotovoltaicas, circuitos eletrônicos, baterias e usadas industrialmente na fabricação de telas touchscreen. Os computadores atuais são alimentados por microprocessadores que usam chips com estruturas que medem de 14 a 22 nanometros, que são importantes resultados práticos da nanotecnologia. A indústria farmacêutica já produz medicamentos baseados em nanomateriais para o tratamento de câncer e outras doenças, com resultados dramaticamente positivos e poucos efeitos colaterais. Um exemplo notável é o medicamento Abraxane para tratamento de câncer de mama metastático, aprovado pela FDA e autorizado para uso em dezenas de países. Este produto incorpora nanopartículas de albumina. Há também um produto para o tratamento de anemia grave, utilizando nanopartículas de ferro. Estes e outros resultados já obtidos com os nanomateriais em medicina estimulam uma grande atividade de pesquisa.

Os exemplos acima mostram que nanomateriais são estruturas fabricadas pelo homem, algumas delas há séculos, ao lado de outras produzidas pela natureza desde sempre, como o caso do leite materno, de bactérias sintetizadoras, de nanopartículas de óxidos de ferro e da ferritina, que armazena ferro no sangue de mamíferos. Em outras palavras, os nanomateriais não são uma invenção recente do homem e existem na natureza, desde há muito. Entretanto, os fabricantes de vitrais da Idade Média não sabiam que estavam produzindo nanomateriais, nem os formuladores de medicamentos no século 20.

A nanotecnologia tornou-se uma política prioritária do governo brasileiro no início da década de 2000, em função do seu enorme impacto na inovação. Foi tratada como área estratégica nos diversos programas estruturantes: o Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação (PACTI 2007-2010), a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), a Estratégia Nacional para Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI 2012-2015) e o Plano Brasil Maior. Essas políticas fomentaram investimentos governamentais significativos com a criação de 17 redes temáticas, 16 INCTs e mais de 50 laboratórios nacionais com atuação na área de Nanociências e Nanotecnologia. O programa de subvenção econômica para empresas na área de nanotecnologia beneficiou cerca de 50 empresas entre 2006 e 2010 em áreas diversas como energia, biotecnologia, defesa e segurança pública, saúde, bens de capital, TICS, sociais entre outras.

Embora ainda tímida em comparação com outros países, o fortalecimento da área veio com o lançamento da iniciativa brasileira de nanotecnologia (IBN) em 2013, que é um marco para a área em termos de política de Estado, pois tem sua governança envolvendo dez ministérios. A iniciativa estruturou o Programa SisNANO com a criação de uma rede de oito laboratórios estratégicos e 18 associados que, usando a nanotecnologia como plataforma para a inovação, se propõe a oferecer respostas para desafios econômicos e sociais do país, a fortalecer a indústria, a criar empregos e, a longo prazo, a melhorar a qualidade de vida da população.
O país já começa a colher os frutos das políticas e dos investimentos em nanotecnologia. Os indicadores de desempenho do Brasil na área de nanotecnologia melhoram continuamente. Crescem a formação de recursos humanos, a produção científica, a criação de empresas start-ups e o lançamento de produtos no mercado. Destacam-se os produtos lançados no mercado na área cosmecêutica e os nanomateriais funcionais usados para remediação ambiental, incorporados em tecidos, em tintas, em plásticos e em sensores. Já contamos com 160 empresas, cerca de 6.000 estudantes e mais de 2.000 cientistas atuando em nanotecnologia e nanociência.

Como qualquer nova ou velha tecnologia, esta também tem riscos. Os seus riscos à saúde humana têm sido amplamente estudados, e os resultados mostram a inexistência de quaisquer riscos "nano-específicos", embora estes sejam frequentemente mencionados em publicações que não têm base científica.

O Brasil tem mostrado competência em nanotoxicologia com muita responsabilidade e participa de iniciativas internacionais de alto nível, que se apoiam na fronteira do conhecimento, como é o caso dos projetos Europeus Nanoreg, que é um consórcio que envolve não apenas a Europa, como também inúmeros outros países. Além disso, são seis Redes de Pesquisa em Nanotoxicologia financiadas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e laboratórios do SisNANO que estão se capacitando para obterem certificação.

A comunidade científica brasileira está atenta aos possíveis riscos e tem produzido subsídios para a elaboração prudente de marcos regulatórios da nanotecnologia. Por isso mesmo a comunidade científica se opõe à criação precipitada de leis cujo resultado será o engessamento, injustificado e mal fundamentado, de uma área que é uma grande janela de oportunidades para o país.

Para que as políticas nacionais sejam responsáveis, protegendo a saúde da população brasileira e o meio ambiente e, ao mesmo tempo, estimulem as iniciativas de desenvolvimento econômico e estratégico do Brasil, a Academia Brasileira de Ciências propõe à consideração dos Senhores Deputados:

1. A retirada de pauta dos projetos de lei 6.741/13 e 5.133/13, de autoria do Deputado Sarney Filho, nas comissões em que está tramitando;

2. a criação de um grupo de trabalho, no âmbito do Congresso, para o acompanhamento de iniciativas e políticas de regulação da nanotecnologia nos países desenvolvidos;

3. a definição de uma instância envolvendo o Legislativo e o Executivo, e quanto a este notadamente o MCTI, para a atualização e consolidação das informações existentes, fornecendo aos poderes da República elementos para a tomada das medidas que garantam ao Brasil o máximo aproveitamento das oportunidades econômicas e estratégicas da nanotecnologia e a máxima proteção contra qualquer risco que ela possa criar.


Grupo de Estudos sobre Nanociências e Nanoengenharia Academia Brasileira de Ciências:

• Adley Forti Rubira
• Andre Galembeck
• Antonio Gomes de Souza Filho
• Fernando Galembeck
• Henrique Eisi Toma
• Oswaldo Luiz Alves
• Patricia Lustoza de Souza
• Renato Machado Cotta
• Ricardo Bentes de Azevedo


Nota do Managing Editor: Esta notícia foi primeiramente publicada no site da Academia Brasileira de Ciências (www.abc.org.br), em 15 de agosto de 2015.


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Em artigo no Jornal da Ciência, Guillermo Foladori, da Universidad Autónoma de Zacatecas, do México, e Noela Invernizzi, da Universidade Federal do Paraná, questionam posicionamento das entidades em manifesto assinado Grupo de Estudos sobre Nanociências e Nanoengenharia


Em 17 de agosto de 2015 a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) publicaram um manifesto (http://www.sbpcnet.org.br/site/noticias/materias/detalhe.php?id=4399)
em resposta aos textos dos Projetos de Lei 5133/13 e 6741/13, ambos da autoria do Deputado Federal José Sarney Filho, que tratam da regulação da nanotecnologia. O manifesto está assinado pelo Grupo de Estudos sobre Nanociências e Nanoengenharia, da Academia Brasileira de Ciências, e foi rubricado por nove investigadores.


O manifesto não tem o intuito de fazer contribuições para corrigir ou melhorar os mencionados PLs, que contêm falhas, ou assinalar alternativas de regulação das nanotecnologias no Brasil, mas limita-se a desacreditar os projetos de lei mencionados.


Entretanto, a discussão internacional sobre os riscos e a regulação das nanotecnologias está na mesa de negociações de muitos países, tendo sido temas tratados mais intensamente a partir dos últimos anos da década passada. Trata-se, pois, de um assunto de relevância e atualidade.


Vários países, entre eles França, Bélgica, Suécia, Noruega, Dinamarca, China e Canadá já estabeleceram registros obrigatórios para as empresas que vendem produtos nanotecnológicos (seja importados ou produzidos por elas).


Muitos outros países elaboraram definições operativas de nanomateriais -embora nem sempre vinculantes- como Austrália, Estados Unidos, Suíça, Coreia, Taiwan e China. A União Europeia já tornou obrigatório em seu território o registro e a obrigação de rotulagem de biocidas, alimentos e cosméticos elaborados a partir da nanotecnologia. Na América Latina a questão regulatória também está em discussão: o México validou várias normas ISO para o equivalente nacional, a Colômbia tem uma proposta de definição de nanomateriais, a Venezuela passou a considerar os produtos farmacêuticos com nanotecnologia como “novos”, demandando registro específico.


A regulação das nanotecnologias tem como pressuposto dois argumentos chave. Primeiro, o fato de que evidências científicas indicam que nanomateriais podem apresentar uma toxicidade para a saúde humana e/ou o meio ambiente diferente daquela apresentada pelos mesmos materiais em tamanho maior. Segundo, para poder comercializar em um mundo globalizado e em crescente liberalização econômica, torna-se necessário homogeneizar a normatização dos produtos.


Neste contexto internacional de intensa discussão sobre regulação e de proliferação de documentos produzidos pelas mais diversas entidades científicas, regulatórias e de normas técnicas, é estranho que o manifesto elaborado pelo Grupo de Estudos sobre Nanociências e Nanoengenharia da Academia Brasileira de Ciências, criticando os projetos de lei mencionados, dê a entender que os nanomateriais não têm muito de novo porque já existem na natureza: “os nanomateriais não são uma invenção recente do homem e existem na natureza, desde há muito”.


Quando o mundo inteiro está buscando regular os nanomateriais manufaturados por manifestar propriedades novas e diferentes dos mesmos materiais em escala maior, o manifesto pretende convencer os parlamentares e a sociedade de que não há nada novo nesta tecnologia.


Porém, muitos nanomateriales já são reconhecidos como novos produtos químicos pela EPA-TSCA dos Estados Unidos desde 2010, pelo REACH da União Européia, pela China, entre outros.


Outra questão que surpreende é a forma terminante, e até suficiente, com que o manifesto trata a questão da pesquisa sobre os riscos da nanotecnologia: “Os seus riscos à saúde humana têm sido amplamente estudados e os resultados mostram a inexistência de quaisquer riscos “nano-específicos” embora estes sejam frequentemente mencionados em publicações que não tem base científica”.


De um lado, é já ampla a discussão internacional sobre o descompasso entre o financiamento da pesquisa em nanotecnologia e da pesquisa para avaliação dos seus potenciais riscos. Essa brecha foi reconhecida pelos grandes projetos de nanotecnologia dos Estados Unidos e da Europa, que aumentaram o financiamento da pesquisa sobre segurança para a saúde e o ambiente dos nanomateriais ao iniciar a década atual.


O estudo dos riscos dos nanomateriais é um típico caso de ciência que só tardiamente entrou na agenda de pesquisa. Assim, por exemplo, o documento publicado pela ABDI em 2011, Nanotecnologias: subsídios para a problemática dos riscos e regulação, nos mostra claramente o número extremamente pequeno de publicações mundiais sobre toxicidade, segurança e avaliação de riscos nas principais áreas de pesquisa em nanotecnologia. No Brasil, a nanotecnologia vem sendo financiada de forma bastante sistemática desde 2001, mas as primeiras redes de nanotoxicologia foram financiadas só 10 anos depois, um hiato considerável. Ou seja, os riscos da nanotecnologia não foram “amplamente estudados”, como diz o manifesto. Pelo contrário, se está apenas no começo.


De outro lado, mesmo pouco estudados, e ao contrário do que diz o manifesto, que parece atribuir toda menção a riscos a “publicações que não têm base científica”, há evidencias científicas sobre riscos de nanomateriais. O banco de publicações sobre Ambiente, Saúde e Segurança dos Nanomateriais compilado pelo International Council on Nanotechnology (http://icon.rice.edu/report.cfm) da Rice University dos Estados Unidos registra, entre 2001 e 2014, 3993 artigos peer reviewed que tratam sobre riscos das nanopartículas mais utilizadas (busca realizada: Carbon OR Metal OR Organic/Polymers OR Semiconductor OR Oxide—-Hazard– Peer Reviewed Journal Article).


Se direcionarmos a busca para os dados científicos que mais diretamente podem subsidiar ações regulatórias, como por exemplo, a pesquisa sobre exposição de trabalhadores a nanomateriais, a falta de pesquisa científica é assustadora: a mesma combinação de busca, cruzada pelo grupo de exposição a riscos “trabalhadores industriais e de pesquisa” tem como resultado apenas 72 artigos. Há ainda a questão de que a literatura científica sobre riscos dos nanomaterias está longe de implicar num consenso quanto aos resultados, sequer quanto aos métodos de estudo.


Os assinantes do manifesto parecem minimizar a importância da comunicação pública transparente sobre o desenvolvimento científico-tecnológico. Em todo o mundo, e o Brasil não está alheio, a população é cada vez mais ciente dos altos riscos que muitas tecnologias têm comportado para a saúde humana, o meio ambiente e também para a segurança social.


Desde 2004, a Organização Mundial da Saúde, que certamente não é nenhuma organização radicalizada, declarou que a introdução de químicos nos produtos de consumo cotidiano tem criado uma pandemia mundial. Os nanomaterias são novos produtos químicos e devem ser desenvolvidos de forma oposta a essa trajetória anterior.


Já há bastante discussão sobre as limitações da regulação química atual de vários países – inclusive do avançado REACH na Europa– para regular os nanomateriais apropriadamente. É preciso construir uma discussão democrática e transparente sobre a regulação da nanotecnologia no país.

lunes, 28 de septiembre de 2015

Califórnia classifica herbicida Roundup como cancerígeno

 Gracias a Carta Maior me entero de esta excelente noticia...cuando sera realidad aqui?

Abrazos,
Santiago
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A primeira do país, a Agência de Proteção Ambiental da Califórnia (Cal/EPA, por sua sigla em inglês) informou que pensa em reclassificar o glifosato – ingrediente tóxico ativo do herbicida Roundup, da Monsanto – por saber que provoca câncer.






Segundo uma "notícia de intenção”, publicada recentemente pelo Escritório de Avaliação de Risco Sanitário Ambiental (OEHHA, por sua sigla em inglês), pertencente à Cal/EPA, a ação entra no âmbito da Proposta 65, da Califórnia, que obriga o Estado a publicar uma lista de produtos químicos conhecidos por serem causa de câncer, defeitos pré-natais e outros danos reprodutivos.

A mesma lei, também conhecida como Lei de Responsabilidade pela Água Potável Segura e os Tóxicos, de 1968, exige também que certas substâncias identificadas pela Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (IARC, por sua sigla em inglês), dependente da Organização Mundial da Saúde (OMS), sejam incorporadas à lista de cancerígenos.

O anúncio da agência estatal californiana, de 04 de setembro último, responde à classificação do glifosato pela IARC, no último mês de março, como "provável cancerígeno em seres humanos”.

"Os estudos de casos de exposição ocupacional realizados nos Estados Unidos, Canadá e Suécia informaram um incremento de risco de linfoma não de Hodgkin, que persiste depois de ajustar outros pesticidas”, expressou a IARC acerca do herbicida. Também há "convincentes provas” de que pode provocar câncer em testes de laboratório com animais.

Parece que a Califórnia é o primeiro estado do país a fazer essa avaliação do polêmico produto químico, segundo o doutor Nathan Donley, cientista do Centro para a Diversidade Biológica. "Pelo que sei, esta á a primeira agência reguladora dos Estados Unidos que determina que o glifosato é um cancerígeno”, explicou o doutor Donley em um e-mail para a EcoWatch. "Trata-se de uma conquista muito grande”.

O Roundup, o emblemático herbicida da Monsanto, é utilizado nos cultivos de todo o mundo e é o mais conhecido dos antipragas dos EUA. A gigante do agronegócio sustenta que seu produto é seguro e exige que a OMS retire seu informe.

Apesar das reclamações da empresa, muitos anos de investigação relacionam o Roundup com inúmeros problemas de saúde e do meio ambiente; também se registra uma diminuição recorde das mariposas monarca. Em junho último, a França proibiu a venda do Roundup em lojas de jardinagem devido à inquietação por sua toxicidade.

Não está claro se outros estados seguirão os passos da Califórnia, ainda que este estado, especificamente, ponha ênfase especial nas leis de etiquetagem comercial.

"Se quaisquer outros estados acabam resolvendo que o glifosato é um cancerígeno, não creio que disponham dos requisitos de etiquetagem que a Proposta 65 proporciona o Estado da Califórnia”, diz Donley. "São os requisitos de rotulagem os que realmente dão ao consumidor a informação que necessitam para tomar uma decisão informada acerca de comprar ou não um produto específico”.

Aparte do glifosato, há outros três produtos químicos – tetracloreto de carbono, paration e malation – que também estão na relação de causadores de câncer da Cal/EPA. A agência avisa que tem a intenção de, em um prazo de 30 dias, acrescentar estes produtos químicos aos aproximadamente 800 já conhecidos por sua carcinogenia, informa a agência RT.

Sam Delson, porta-voz da OEHHA, disse à Agri-Pulse que as assinaturas que empregam 10 ou mais pessoas e utilizem os produtos químicos que figuram nessa lista devem "advertir clara e razoavelmente” sobre os danos que podem ocasionar esses produtos.

A lista não restringe o uso nem a venda das substâncias que especifica; o público está autorizado até o próximo dia 05 de outubro a apresentar comentários acerca da proposta.

A porta-voz da Monsanto, Charla Lord, disse à Agri-Pulse que o "glifosato é uma ferramenta eficaz e valiosa para os granjeiros e outros usuários, muitos deles do Estado da Califórnia. Em breve, proporcionaremos informação científica detalhada à ORHHA sobre a segurança do glifosato e trabalharemos para que nenhuma lista potencial afete a utilização nem as vendas do glifosato na Califórnia”.

Advogados dos consumidores aprovaram a iniciativa da Cal/EPA.

"Dado que o setor de pesquisa da Organização Mundial da Saúde declarou, recentemente, que o glifosato provavelmente seja um cancerígeno para os seres humanos; a inclusão na lista regida pela Proposta 65 e a exigência de que seja etiquetado como tal são os seguintes passos lógicos”, disse Rebecca Spector, diretora do Centro de Segurança Alimentar da Costa Oeste, a EcoWatch.

viernes, 10 de julio de 2015

Obama es Assange con 50 años de atraso


Aqui las tenemos, es como wikileaks pero con 50 años de diferencia...y despues de haber hecho escuchas que seguramente se valieron en acuerdos millonarios...
Talvez este es uno de los pocos motivos para ir a EUA de parte de Dilma, descartando que vaya bajo amenaza por las propias escuchas.

Abrazos,
Santiago

Pd: Tradução abaixo.
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EL MUNDO › OBAMA ENTREGO A ROUSSEFF DOCUMENTOS DESCLASIFICADOS SOBRE LA REPRESION EN BRASIL

EE.UU., al tanto de todos los crímenes

Los archivos fueron entregados en coincidencia con la reunión de ambos presidentes y muestran cómo Estados Unidos era informado en tiempo real sobre los crímenes que cometía la dictadura en Brasil. Un dossier con 538 cables diplomáticos e informes de Inteligencia.



 Por Darío Pignotti
Página/12 En Brasil
Desde Brasilia
La presidenta Dilma Rousseff, ex prisionera política, recibió de Barack Obama documentos que revelan crímenes cometidos durante la dictadura respaldada por Estados Unidos. El Palacio del Planalto anunció ayer que informaciones sobre desaparecidos, como el guerrillero Stuart Edgard Angel Jones y el diputado Rubens Paiva, fueron cedidas la semana pasada, cuando Dilma fue agasajada por su colega con una cena reservada en la Casa Blanca.
“La liberación de los archivos es fruto del trabajo de la Comisión Nacional de la Verdad que en 2012 solicitó al presidente Barack Obama la desclasificación de documentos relacionados con el período de excepción.”
En el dossier constan 538 cables diplomáticos e informes de inteligencia que estuvieron durante décadas en poder de la CIA, el Departamento de Estado y el Departamento de Defensa.
“Es interesante ver cómo los órganos de seguridad norteamericanos tenían conocimiento del aparato represivo de la dictadura”, observó el ministro Aloísio Mercadante. “Ellos sabían casi en tiempo real sobre las torturas, sobre quién había sido muerto, sobre quién estaba desaparecido pero no lo informaron a las familias de las víctimas ni a Brasil, que sólo ahora está accediendo a esas informaciones.”
Uno de los papeles desclasificados dice que en 1971 el cónsul norteamericano James Reardon fue informado por la policía brasileña sobre la detención del ciudadano norteamericano-brasileño Stuart Edgard Angel Jones, quien continúa desaparecido desde ese año.
Jones era parte de la organización armada Movimiento Revolucionario 8 de Octubre, la que en 1969 había secuestrado y liberado con vida al embajador Charles Elbrick, en una la operación de extraordinario impacto político realizada poco antes de la llegada al poder del dictador Emilio Garrastazú Médici. Tras ese rapto, Médici, considerado el mayor carnicero del régimen, endureció la represión en la que cayeron Jones y Rubens Paiva, entre otros.
En febrero de 1976, cinco años después del asesinato de Jones, su madre, la famosa diseñadora de modas Zuzú Angel, abordó personalmente al secretario de Estado Henry Kissinger, que había viajado a Brasil para estrechar la relación “preferencial” con el dictador Ernesto Geisel. La valentía de Zuzú Angel, que desafió a los custodios norteamericanos, fue inútil, pues Kissinger no la puso en conocimiento de los datos que el Departamento de Estado manejaba desde hacía tiempo.
Y lo más inquietante: meses después de haber pedido explicaciones al secretario de Estado, la señora Angel falleció en un accidente automovilístico que podría haber sido un atentado urdido por los servicios, similar a otros que mataron a opositores.
En enero de 1971, efectivos de la Aeronáutica secuestraron al diputado Rubens Paiva, exonerado poco después del golpe de Estado de 1964.
Paiva murió un día después de su captura en una base próxima al aeropuerto carioca Santos Dumond, según lo determinó una investigación de la Comisión de la Verdad concluida el año pasado.
Un telegrama diplomático “confidencial” de febrero de 1971 confirma que la Embajada de Estados Unidos estaba al corriente de lo sucedido a Paiva y mantuvo un silencio a pesar de los ruegos de su viuda e hijos.
“Paiva murió durante el interrogatorio o murió de un paro cardíaco o por otras causas” mientras estaba en poder de sus captores, señala el informe elaborado por funcionarios estadounidenses.
Paiva se había sumado a las filas de la resistencia política asumiendo tareas riesgosas como la de llevar y traer correspondencia a los exiliados en Chile, donde los servicios de inteligencia brasileños desarrollaban una tarea intensa: actividades de espionaje político y represión que se incrementarían con el golpe de Estado de 1973, apadrinado por Estados Unidos y los generales brasileños. Está documentado que Brasil envió refuerzos a Chile para interrogar a conciudadanos presos en el Estadio Nacional tras la caída de Salvador Allende.
Otro de los materiales recientemente liberados demuestra que Washington sabía de los cursos de formación que tomaron al menos 16 agentes chilenos en la escuela del Servicio Nacional de Informaciones, instituto que habría sido tomado como modelo por Augusto Pinochet y Manuel Contreras antes de crear la DINA.
Estados Unidos hizo entrega de los papeles el 30 de junio, en coincidencia con el encuentro entre Obama y Dilma que formalizó la recomposición de relaciones. Rousseff pasó la noche del 30 de junio hospedada en la Blair House, residencia para visitantes oficiales próxima a la Casa Blanca, la misma donde pernoctó el dictador Emilio Garrastazú Médici en convite de Richard Nixon, escoltado por Henry Kissinger. En aquella noche de diciembre de 1971 “Wanda”, alias de guerra de Rousseff, estaba presa en San Pablo, donde permaneció casi tres años.



Esta fue la tercera entrega de papeles solicitados por la Comisión de la Verdad y la primera que aporta precisiones que podrán contribuir al esclarecimiento tanto de operaciones ejecutadas por el terrorismo de Estado brasileño como de su sociedad con Washington. Coincidentemente (o no), las autoridades norteamericanas resolvieron liberar parte de sus secretos siete meses después de entregado el informe final de la Comisión de la Verdad creada por Dilma. Los dos envíos anteriores “tenían papeles que nos ayudaron muy poco para nuestro trabajo, no decían prácticamente nada de importancia”, declaró a Página/12 tiempo atrás María Rosa Cardoso, ex abogada de la presa Dilma Rousseff en los años ’70 y luego miembro de la Comisión de la Verdad.

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A presidenta Dilma Rousseff, ex-prisioneira política, recebeu de Barack Obama os relatórios de inteligência que descrevem os crimes cometidos durante a ditadura brasileira, a que contou com claro respaldo dos Estados Unidos. O Palácio do Planalto anunciou ontem que as informações sobre os desaparecidos, como o guerrilheiro Stuart Edgard Angel Jones e o deputado Rubens Paiva, foram cedidas na semana passada, quando Dilma foi recebida pelo seu colega estadunidense, num jantar reservado na Casa Branca.

“A liberação dos arquivos é fruto do trabalho da Comissão Nacional da Verdade que em 2012 solicitou do presidente Barack Obama a desclassificação dos documentos relacionados com o período de exceção.”

No dossiê constam 538 cabos diplomáticos e informes de inteligência, que estiveram durante décadas em poder da CIA, do Departamento de Estado e do Departamento de Defesa.

“É interessante ver como os órgãos de segurança norte-americanos tinham conhecimento do aparato repressivo da ditadura”, observou o ministro Aloísio Mercadante. “Eles eram informados sobre as torturas quase em tempo real, sabiam de antemão quem havia sido morto, quem estava desaparecido, mas não informavam as famílias das vítimas, e só agora entregaram essa informação ao governo brasileiro”.

Um dos documentos desclassificados diz que, em 1971, o cônsul norte-americano James Reardon foi informado pela polícia brasileira sobre a detenção do cidadão estadunidense-brasileiro Stuart Edgard Angel Jones, considerado desaparecido desde então.

Angel Jones era parte do MR8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro), a mesma organização que, em 1969, havia sequestrado e liberado com vida o embaixador Charles Elbrick, numa operação de extraordinário impacto político realizada pouco antes da chegada ao poder do ditador Emílio Garrastazú Médici. Após esse rapto, Médici, considerado o mais sanguinário dos cinco ditadores que se revezaram durante o regime militar brasileiro, endureceu a repressão, com perseguições a opositores organizados ou não, sendo Angel Jones e Rubens Paiva apenas algumas das vítimas desse período.

Em fevereiro de 1976, cinco anos depois do assassinato de Angel Jones, sua mãe, a famosa estilista Zuzú Angel, abordou pessoalmente o secretário de Estado Henry Kissinger, que havia viajado ao Brasil para reforçar as relações “preferenciais” com o ditador de então, Ernesto Geisel. A valentia de Zuzú Angel foi lida como uma ameaça pelos norte-americanos. Além de inútil, já que Kissinger não entregou a ela os dados que o Departamento de Estado manejava desde a desaparição do filho, o acontecimento foi ainda mais inquietante, foi o falecimento de Zuzú, num estranho acidente automobilístico, meses depois de haver conversado com Kissinger, um fato que levantou a suspeita de que haveria sido um atentado planejado e realizado pelos serviços de inteligência, similar a outros que mataram opositores.

Em janeiro de 1971, soldados da Aeronáutica sequestraram o deputado Rubens Paiva, exonerado pouco depois do golpe de Estado de 1964.

Paiva morreu um dia depois de sua captura, numa base próxima ao aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, segundo o determinou uma investigação da Comissão Nacional da Verdade, concluída no ano passado.

Um telegrama diplomático “confidencial”, de fevereiro de 1971, confirma que a Embaixada dos Estados Unidos estava ciente do sucedido com Paiva, e manteve silêncio, apesar dos pedidos de sua viúva e seus filhos.

“Paiva morreu durante o interrogatório ou por uma parada cardíaca, ou por outras causas”, enquanto estava nas mãos de seus captores, esclarece o informe elaborado pelos funcionários estadunidenses.

Paiva havia sido incorporado às filas da resistência política, assumindo tarefas de risco, como a de levar e trazer correspondência aos exilados no Chile, onde os serviços de inteligência brasileiros desenvolviam uma intensa tarefa: atividades de espionagem política e repressão que se incrementariam com o golpe de Estado de 1973, outra operação apadrinhada pelos Estados Unidos, com apoio também dos generais brasileiros. Os documentos mostram também que o Brasil enviou reforços ao Chile para interrogar os cidadãos brasileiros presos no Estádio Nacional, transformado em campo de concentração após a queda de Salvador Allende.

Outro dos materiais recentemente liberados demonstra que Washington sabia dos cursos de formação ministrados a 16 agentes chilenos na escola do Serviço Nacional de Informações, instituto que foi usado como modelo por Augusto Pinochet e Manuel Contreras para criar a DINA.

Os Estados Unidos entregou os papéis no dia 30 de junho, aproveitando o encontro entre Obama e Dilma, que formalizou a recomposição das relações. Rousseff passou a noite do dia 30 de junho hospedada no Blair House, residência para visitantes oficiais próxima à Casa Branca, a mesma onde também pernoitou o ditador Emilio Garrastazú Médici, em convite de Richard Nixon, escoltado por Henry Kissinger. Naquela noite de dezembro de 1971, “Wanda” – nome código pelo qual Dilma Rousseff era conhecida, estava presa em São Paulo, onde permaneceu por quase três anos.

Essa foi a terceira entrega de documentos solicitados pela Comissão Nacional da Verdade, a primeira que traz precisões que poderão contribuir ao esclarecimento tanto de operações executadas pelo terrorismo de Estado brasileiro como de sua cumplicidade com Washington. Coincidentemente (ou não), as autoridades norte-americanas resolveram liberar parte dos seus segredos sete meses depois da entrega do informe final da Comissão Nacional da Verdade criada por Dilma. Os dois envios anteriores “continham papéis que nos ajudaram muito pouco em nosso trabalho, não diziam praticamente nada de importante”, declarou a Página/12, meses atrás, a advogada Maria Rosa Cardoso, que representou Dilma Rousseff nos Anos 70, e que logo foi membro da Comissão Nacional da Verdade.

Tradução: Victor Farinelli

lunes, 15 de junio de 2015

“La ciencia y la tecnología ¿al servicio de quién?”

Alguna vez una señora en una parada de colectivos en Brasil me pregunto de que trabajaba, le dije que investigaba y me pregunto esta vez:
- Ustedes los cientificos, para quien trabajan?
Me quede pensando...iba a contestarle con lo obvio y agrego:
- Yo soy empleada domestica, me dijo. Tengo un patron. Ustedes los científicos: Quien es su patrón?
.....sigo pensando en la respuesta...

Saludos Santiago

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La ciencia por el ambiente

Desde hoy se reúnen en Rosario científicos de América para debatir sobre técnicas y productos nocivos para la sociedad.



 Por Darío Aranda
“Semana de la ciencia digna.” Es el nombre que se instauró desde el año pasado en la Facultad de Ciencias Médicas de la Universidad Nacional del Rosario en homenaje al científico Andrés Carrasco (quien confirmó los efectos devastadores del herbicida glifosato). Desde hoy, y hasta el viernes, confluirán académicos de países de América, investigadores de universidades públicas y organizaciones sociales para detallar las consecuencias del extractivismo, incentivar trabajos conjuntos y difundir experiencias productivas sustentables. Como parte de las actividades se realizará el “Primer Encuentro de la Unión de Científicos Comprometidos con la Sociedad”, espacio latinoamericano que reivindica el rol de la ciencia al servicio de las necesidades de la población (y no del sector privado). Habrá más de 70 disertaciones y talleres.
Las jornadas comienzan hoy lunes a las 12 con el encuentro de los académicos de una decena de países que integran la “Unión de Científicos Comprometidos”. Mañana disertarán Raúl Zibechi (sobre los movimientos sociales de América), Carlos Vicente (de la organización internacional Grain, hablará sobre las leyes de semillas), Marta Maffei (“formación docente y extractivismo”), Mercedes Méndez (sobre el rol de los trabajadores de la salud) y Juan Varonessi (Asamblea de Gualeguaychú).
Esa misma jornada estarán el ecuatoriano Leonardo Melgarejo y, de Brasil, Rubens Nodaris. El tema será “La ciencia y la tecnología ¿al servicio de quién?”. Y expondrá el médico Rodolfo Páramo, uno de los pioneros en denunciar el efecto de las fumigaciones con agrotóxicos. Cerrará el día con la presentación de dos libros: La patria sojera y Envenenados.
El miércoles será el turno de la investigadora de la Universidad de Río Cuarto Delia Aiassa (confirmó que los agroquímicos producen daño genético y diversas enfermedades, entre ellas cáncer), Guillermo Folgueras de la UBA (sobre la biotecnología, empresas y Estado) y Alicia Massarini (doctora en ciencias biológicas, investigadora del Conicet y coautora del libro Ciencia entre todos). El mexicano Alejandro Espinoza detallará los cuestionamientos que provocó el maíz transgénico en su país. “Matriz energética y fracking”, será la ponencia de Pablo Bertinat, director del Observatorio de Energía y Sustentabilidad. Y también hablará Marie-Monique Robin, autora de El mundo según Monsanto y El veneno nuestro de cada día.
La Facultad de Ciencias Médicas de Rosario tiene una impronta poco común. Se ha expresado oficialmente contra la megaminería, el agronegocio y la fractura hidráulica (técnica para extraer petróleo que es cuestionada por sus consecuencias ambientales y en la salud). También cuestionó que las universidades públicas reciban fondos del sector privado y, para los estudiantes de medicina, tiene una práctica final de evaluación única en el país: deben participar de un “campamento sanitario”, que implica que docentes y estudiantes se trasladen durante una semana a una localidad y realicen un relevamiento de salud a la población.
En 2011 se realizó en la misma Facultad el Primer Congreso Internacional de Salud Socioambiental. El segundo fue en 2013. En junio del 2014 se instauró, por votación unánime del Consejo Directivo, el “Día de la Ciencia Digna” en homenaje a Andrés Carrasco, el científico de la UBA y el Conicet que en 2009 confirmó los efectos letales de mínimas dosis del herbicida glifosato en embriones anfibios. Carrasco fue un férreo crítico al modelo agropecuario en base a transgénicos y agroquímicos, y denunció que sectores de la ciencia estatal estén al servicio de las corporaciones y no de la población.
En junio de 2014 se lanzó en la casa de estudios un manifiesto por “la ciencia digna”, firmado por más de un centenar de académicos de América latina y fue la antesala de este “Primer Encuentro de la Unión de Científicos Comprometidos con la Sociedad”. El manifiesto afirma: “Los pueblos latinoamericanos tienen el derecho irrenunciable a desarrollar una ciencia transparente, autónoma y que sirva a los intereses del pueblo”.
El jueves estará el médico Medardo Avila Vázquez, presentará el relevamiento sanitario de la localidad cordobesa de Monte Maíz (se detectaron enfermedades muy por encima del promedio nacional). Marcelo Sauro, Dora Mantello y Eduardo Dipaola darán un taller sobre medicinas alternativas. Fabián Tomassi, ex trabajador rural en contacto permanente con agroquímicos explicará cómo le afectó la salud.
“Alimentos o mercancías”, será el tema de la periodista Soledad Barruti. Rafael Lajmanovich, profesor de ecotoxicología en la Universidad del Litoral, expondrá sobre transgénicos, agroquímicos y daños; y la investigadora ecuatoriana Elizabeth Bravo que abordará el rol de las semillas genéticamente modificados y las alternativas. Cerrará la jornada el escritor Martín Crespi, autor de una inédita serie de libros infantiles con temáticas ambientales de actualidad (soja, minería, deforestación; de la editorial autogestiva Pachamamita Libros).
El viernes expondrán Damián Marino (investigador de la Universidad de La Plata) y Horacio Lucero (Universidad del Nordeste), sobre el modelo agropecuario, consecuencias y alternativas. También estarán vecinos de Asambleas Ciudadanas (disertarán sobre fracking) y la Red de Huerteros Urbanos de Rosario (sobre la importancia de otra forma de producción agropecuaria). La programación completa se puede consultar en www.fcm.unr.edu.ar

domingo, 14 de junio de 2015

La Constitución de las corporaciones

Bueno, mas de lo mismo, lo deciamos aqui hace algunos años en version filosofica siguiendo las palabras de Santiago, lo expresamos tambien mas claramente con el caso particular de los tratados EU-EUA en nanotecnologia, lo sentimos todos los dias en la lectura cotidiana de los diarios, que como decia Mafalda, dicen la mitad de lo que pasa y de esa mitad la mitad es mentira, asi que con suerte uno se entera del 25% de lo que ocurre (y creo que es una version muy optimista, jeje). Hoy mismo discutia con Marilin que hay muchas formas de ocultar informacion, una por exceso y otra por defecto. En Brasil los diarios solo sirven para ir de shopping o consumir algo. Venden en la mayor parte de los casos fruta podrida. Es decir optan por la version por defecto. En Argentina por la ley de medios creo ocurre lo contrario, optan por exceso. De todos modos, creo es bueno poder elegir que fruta comprar, habiendo tanta fruta en Brasil porque no se puede elegir alguna que no este podrida? Les dejo una reflexion de Sandra Russo mas abajo. Me pregunto: En momentos en que Brasil puja por entrar en estos tratados de libre comercio con la UE que habilitaria los mismos mecanismos que aclara esta nota...que reflexion de este tipo podemos encontrar en los periódicos "más importantes" de Brasil??...

Saludos Santiago
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La Constitución de las corporaciones



Se llama ISDS. Es la cláusula crucial, el corazón del tratado de libre comercio entre Estados Unidos y la Unión Europea, el ITTP (Tratado Transatlántico de Comercio e Inversión), que puso al rojo vivo al Parlamento Europeo esta semana. El martes iba a votarse en Estrasburgo un informe de cien páginas que, de ser aprobado, constituiría la hoja de ruta para que la comisaria europea de Comercio, Cecilia Malmstrom, continuara las negociaciones hacia el ITTP. Pero a las 17.45 de esa tarde, la única repentina votación que tuvo lugar fue la suspensión de la votación sobre el informe. Algo hacía zozobrar su aprobación. Los verdes y la coalición de las izquierdas lo vetaban, y los conservadores y “populares” lo apoyaban. Los socialistas fueron los que dieron la nota con sus vaivenes: después de haber objetado la cláusula ISDS en un primer momento, la habían reincorporado en un segundo momento. En un tercero, que fue la tarde del martes, algunos eurodiputados socialistas avisaron que volvían a rechazarlo. El informe no se votó, en síntesis, porque corría serio riesgo de ganar el No.
Las siglas acá no son inocentes. Encubren, como es costumbre. Millones de europeos, desde sus casas, sus crisis, sus vacilaciones cotidianas, no logran perforar el significado de esas chapas que parecen nombrar moléculas o minerales, pero que designan una maniobra política sin precedentes que, de ser aprobada, decapitaría las respectivas legislaciones municipales, estaduales y nacionales europeas, para imponer, liso y llano, un gobierno corporativo en la Zona Euro. Y no es que sea tan difícil de entender. Es que el ITTP navega sólido por las aguas mediáticas que lo acunan, acolchado por las grandes pautas, que pagan las corporaciones. Los grandes medios europeos son exactamente iguales que los grandes medios de cualquier parte. No se rigen por el criterio del derecho a la información, sino por la del actual capitalismo desmechado, que es la madre de todos los borregos.
La cláusula ISDS propone la solución a eventuales futuros conflictos entre una corporación y un Estado. Así como se lee, y todo lo que sigue es así como se lee. Es necesario comprender la magnitud siniestra de la cláusula ISDS para advertir lo que está en juego, que no es otra cosa que la soberanía de cada Estado que lo firme. Porque... ¿cómo se solucionarían los futuros conflictos entre una corporación transnacional y un Estado en virtud de esa cláusula? Ah, fácil: si una corporación de cualquier tipo considera que una ley nacional, autonómica o local le impide obtener “los beneficios esperados”, puede demandar a ese Estado ante... una corte privada formada por “tres árbitros” que decidirán si ese Estado debe indemnizar a la corporación. ¿A qué renuncian los Estados firmantes de esa cláusula? Nada menos que a su propia legislación. ¿Y qué aceptan a cambio? Cortes privadas que fallen entre lo privado y lo público. A ese nivel de perversión llega el neoliberalismo, que no está muerto ni pasado de moda ni arrepentido ni replanteado. Es el mismo de siempre. El de la población sacrificable y los territorios inviables.




La presidenta del Trasnational Institute, Susan George –una investigadora social de larga trayectoria, presidenta honoraria de Attac Francia–, dijo en la previa a la cumbre de la UE y la Cepal esta misma semana, en referencia a las discusiones frenéticas que se dan en la UE en relación con el TTIP: “Tenemos que revertir la ideología neoliberal apelando a los principios de derechos humanos. De lo contrario, Estados Unidos seguirá ahondando en la senda que abrió con el Nafta –el tratado de libre comercio entre Estados Unidos y Canadá-, y acabará firmando dos acuerdos similares, uno con la UE, el TTIP, y otro con la Alianza del Pacífico, el TPP. Pasará a controlar así el 60 por ciento del PBI mundial, y el 75 por ciento del comercio global”. Sobre el TTIP y su cláusula venenosa, George fue tajante: “Es una horrible pieza de legislación. Se les dará a las empresas la oportunidad de deshacer todo el trabajo que se ha hecho en Europa por construir un modelo social en beneficio de las personas y los trabajadores”.
Por su parte, Lola Sánchez, eurodiputada del español Podemos, dijo que quienes se oponen al TTIP en el Parlamento Europeo no sólo están dando sus razones hacia adentro del recinto, sino tratando de hacerse escuchar por los ciudadanos, “para que la gente se entere de qué es lo que se está tramando”. Es impensable, salvo bajo el conocido hechizo de “lo inevitable” que plantea el neoliberalismo, que dirigencias responsables se inclinen tanto, que cedan hasta sus respectivas jurisdicciones legislativas bajo la promesa una y otra vez falaz de inversiones que, si llegan, mandan sus ganancias a sus bases, en muchos casos paraísos fiscales.
“Es necesario pararlo antes de que avance –seguía Lola Sánchez–, y por supuesto no permitir que esto se apruebe nunca. Esto es un golpe de Estado. Es la Constitución de las corporaciones.” Esto es lo que sigilosamente se arrastra bajo la buscada descomposición de Europa, porque es imposible que quienes ponen el barco en esa dirección no sean conscientes de lo que hacen, que en definitiva es preparar el paisaje de carroña para que lleguen los buitres confesos o disimulados. Es oportuno subrayar que la eurodiputada española usa la expresión “golpe de Estado” en una nueva acepción, muy lejos ya de las irrupciones militares en la América latina de los ’70, más cerca de las actuales desestabilizaciones institucionales que conocemos por aquí. Pero está hablando de otra cosa, de una forma embrionaria de imposición de reglas por parte de las empresas no ya a los gobiernos, sino directamente a los Estados. Concluía Sánchez: “Están haciendo un proceso deconstituyente. No tenemos, ni la Comisión Europea ni el Parlamento Europeo, mandato para deconstruir el andamiaje legal y el aparato jurídico y legislativo que tenemos”.
Tan feroz es el avance que pretenden las corporaciones, que los eurodiputados de las nuevas fuerzas políticas exigen que se lo tome como lo que es, una nueva Constitución, que para ser aprobada debería pasar por un referéndum país por país. Lo que se enuncia como “libre comercio” es el modelo de mundo unipolar que se les está escurriendo entre los dedos.

martes, 19 de mayo de 2015

martes, 12 de mayo de 2015

¿Hacia una insurrección de los editados? Diez pensamientos sobre garrapatas y camaradas

Excelente,

Que le aprovechen,

Abrazos,
Santiago
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http://cordelengajado.blogspot.com.br/2012/07/quem-sao-esses-camaradas-nezite-alencar.html
por Stevphen Shukaitis                                        Traducción de Marcelo Expósito

1. «¡Se publica para encontrar camaradas!». Esta declaración de André Breton (1997: 52) es adecuada para comenzar a discutir qué significa o qué significaría una insurrección de los editados. No se trata de una declaración simplista de Breton, sino de algo sobre lo que merece realmente la pena reflexionar con el fin de sopesar los cambios acaecidos en la relación actualmente agitada entre la edición, la política y más en general el trabajo cultural. Porque lo que Breton dice aquí no es que uno publique para propagar y difundir algo ya absolutamente concebido: no se trata de publicar una revelación o de hacer tomar conciencia a un público fijo imaginario. Bretón está describiendo más bien algo que podría llamarse una edición de resonancia. Esto es, no una práctica de la edición que tenga necesariamente la intención de convencer a alguien de algo, sino que más bien funciona estableciendo las condiciones para una coproducción del significado. Publicar no es por tanto algo que ocurre al final de un proceso de pensamiento, el llevar adelante un trabajo intelectual o artístico, sino más bien el establecer un proceso social donde este trabajo se pueda desarrollar.

2. En este sentido, podría pensarse que la organización misma del proceso productivo editorial es tan importante como lo que se produce. ¿De qué manera? Se deduce lógicamente de la idea de que uno publica con el fin de animar nuevas formas de relaciones sociales, que se hacen posibles mediante la extensión y el desarrollo editorial, mediante la relación social que ello anima. Publicar comporta por sí mismo y a través suyo ciertas competencias de cooperación social que son valiosas aun cuando lo que se produzca como producto final no sea un resultado excelso. Esto podría incluso no tener ninguna importancia. En resumen, publicar es la iniciación de un proceso corporizado que produce y reproduce conocimiento y comprensión, antes que la creación de objetos fijos que contienen y fijan un entendimiento completo. La producción de una comunidad de colaboración y de significados compartidos, la producción de un público, contiene de por sí una riqueza que es a veces más grande que un simple texto. La producción del texto es valiosa solo por las relaciones sociales en las que se inserta y a través de las cuales produce significado.

3. Es por esta razón que ha habido históricamente una cercana relación entre formas de movimientos sociales y cambios en la producción de medios de comunicación. Esto se puede ver claramente en el excelente libro de Sean Steward On the Ground (2011), que explora la conexión entre el desarrollo de la escena underground y contracultural y la emergencia de la edición alternativa en la década de 1960. Hay entre ellas una relación semejante a la que ha sido explorada con frecuencia en el desarrollo de las políticas radicales de la década de 1970, particularmente en lo que respecta al surgimiento de la producción de fanzines en torno al punk y el uso de fotocopiadoras (2008). De manera semejante, Jodi Dean ha sugerido que tuvieron una gran importancia en la formación del partido bolchevique las necesidades impuestas por la publicación de un diario, con los intensos compromisos y formas de organización necesarias para sostenerlo (2013). Esto no es caer en un determinismo tecnológico Mcluhanesco donde los cambios en la forma de los medios de comunicación son la imagen directa de cambios en la composición social la cual a su vez determinan. Se trata más bien de reconocer que la producción medial y las culturas de los movimientos sociales están estrechamente entretejidas, de tal manera que los cambios recíprocos son complejos y suceden a varios niveles.

4. Probablemente uno podría encontrar un gran número de otros ejemplos para pensar sobre la relación entre los cambios en la imprenta y la política, haciendo un análisis comparativo de tales ejemplos, y sobre qué han significado estos cambios para quienes se han visto implicados. Y eso sería útil porque quizá nos conduciría a desarrollar una gramática más refinada de la subjetivación política en relación con la naturaleza cambiante de las políticas de edición [1]. Y se podría continuar con la explosión de entusiasmo que vino con las varias olas y cambios en el surgimiento de la tecnología de internet, entusiasmo que retorna después de los repetidos estallidos de las burbujas tecnológicas, para resurgir con cada nueva y sucesiva forma de interacción tecnológica, de los blogs a los medios sociales (Henwood, 2003). Es importante aprender de estas lecciones pasadas en la medida en que nos permitan acometer una insurrección de los editados enfrentada a las dinámicas del presente. ¿Cuáles son las condiciones actuales de las políticas de edición como afectos en los regímenes laborales, culturales y mediales actualmente en transformación?

5. Uno podría estar tentado a pensar en las actuales dinámicas de las políticas editoriales empezando por la línea lanzada por David Batterham, en el sentido de que la mayoría de los libreros son bastante chapuceros, lo que según él no resulta sorprendente «dado que todos nos las hemos arreglado para escapar o evitar formas de trabajo más regulares» (2011: 7). El problema de esta observación es que, mientras antaño pudiera haber sido posible escapar de «formas de trabajo más regulares» mediante ciertas ocupaciones literarias o editoriales, hoy parece más bien que es el trabajo el que escapa de nosotros, en el sentido de que los empleos dignamente remunerados han desaparecido en general de las industrias editoriales y mediales. El otro día conversaba con un amigo empleado en una editorial independiente bastante grande y me describía cómo estando cercano a los cuarenta y trabajando en algo próximo a lo que imaginaba que sería su trabajo ideal, aun así se veía obligado a compartir casa con otras tres personas y subsistir con unos ingresos más aptos para una vida estudiantil que para alguien que ha realizado un trabajo profesional durante más de diez años. Podríamos pensar, junto con Jaron Lanier (2013), que esto sucede como efecto de la destrucción del trabajo de clase media, particularmente las formas de trabajo cultural y de producción medial derivadas de las tecnologías en red.

6. ¿Estamos entonces experimentando una muerte de la imprenta? Alessandro Ludovico ha escrito recientemente un libro excelente que rastrea la historia de esta sugerencia desde la primera constancia que de la misma se tiene en 1894 hasta el presente (2011). Dado que se puede rastrear esta idea desde hace más de un siglo, quizá por ello no sorprenda que la pregonada muerte inminente de la imprenta suene un poco repetidamente exagerada. Pero que la imprenta no parezca ir a morir no significa que no esté cambiando, viéndose drásticamente afectada por las constantes transformaciones de la tecnología y las dinámicas del mundo digital. La publicación impresa se ve también modificada por sus propios sujetos y reclamos en conflicto, inmersa en variables expectativas sobre el papel de los medios y habituada a interrelacionarse con múltiples plataformas mediales. Ludovico sugiere que estas mutaciones en las políticas editoriales podrían paradójicamente conducir a una revitalización de la imprenta. Yo daría personalmente la bienvenida a este resultado, puesto que, a pesar de la actual explosión del número de materiales puestos a disposición por medios digitales, hay un cierto sentido del tacto que se pierde en el camino. En esta revitalización, la imprenta podría seguramente no ser el mismo medio de masas que antes fue. Quizá se trate de un proceso semejante al del ascenso de los medios digitales en la música, que se ha visto acompañado por la vuelta del vinilo como medio celebrado por sus cualidades estéticas.

7. Es en esta conjunción de dinámicas sociales y tecnológicas donde me gustaría situar un proyecto como Minor Compositions, la serie de ediciones que he estado dirigiendo para Autonomedia desde 2009. Su orientación general sintoniza con la historia de la propia Autonomedia, que ha estado publicando libros de teoría, cultura e historia anarquista y autónoma desde principios de la década de 1980. Minor Compositions comenzó como un subproyecto de Autonomedia, en el sentido de que era (y es) parte de ella, pero operando con un alto grado de independencia editorial. Y dado que Autonomedia ha sido siempre bastante escéptica en lo que atañe a la propiedad intelectual y a los cercamientos del conocimiento establecidos por el copyright, ello significa que habitualmente nos sentimos cómodos con que otras personas tomen y distribuyan libremente el trabajo que hemos hecho. Y en muchos casos esto es precisamente lo que ha sucedido, llevando a formas mucho más amplias y desarrolladas de distribución que no hubieran tenido lugar de otra manera, como es el caso de la extensa diseminación de la escritura de Hakim Bey / Peter Lamborn Wilson. En la mayoría de los casos no se trataba de que publicáramos en internet los archivos digitales de los libros gratuitos. Este fue un paso adelante que adoptó Minor Compositions, publicando el PDF final para descarga gratuita de cada título producido. Ha sido así para todos y cada uno de los diecinueve títulos que se han producido hasta ahora. No se puede decir que haya
habido una relación meramente positiva entre la compartición gratuita de información y la capacidad del proyecto para reproducirse, pero resulta complejo el hecho de que, si bien esta compartición ha requerido a veces costes significativos, a la vez ha producido beneficios en términos de circulación y desarrollo de ideas.

8. La pregunta sigue siendo ¿cómo afecta todo esto a las políticas de edición en código abierto? ¿Podemos afirmar que todavía son posibles cuando se han convertido, aun de manera distorsionada y diluida, en la política de numerosos gobiernos? Yo razonaría que sí, que hay todavía potencialidades políticas en la publicación abierta para una insurrección de los editados, pero son más nebulosas y complicadas que antes.Mientras que hace varios años habría parecido razonable pensar que el acto mismo de la publicación abierta podría servir como base de una política enfrentada a los argumentos de conservadores como Mark Helprin, quien acusó a quienes estaban implicados en la producción open source de ser precursores de un nuevo barbarismo digital (2009), hoy ya no es así. El acto y el proceso de la edición en código abierto no son por sí mismos suficientes como base de una política. La cuestión es más bien, volviendo a Breton, qué se hace posible mediante el proceso de publicación abierta. Gary Hall, uno de los fundadores de Open Humanities Press, argumenta que «la ética y la política de edición y archivo open-access no viene preestablecida, sino que tiene que ser producida e inventada creativamente por sus usuarios en el proceso mismo de uso» (2008: 27).

9. Esto significa que invocar la noción de apertura o recurrir a ella continuamente pudiera ser efectivamente una condición para la insurrección de los editados, pero no su única característica. Hemos de plantearnos también estas preguntas: ¿cómo y para quién se constituye esta apertura? O lo que quizá sea más importante, ¿qué es lo abierto de la publicación abierta?, ¿qué tipos de relaciones sociales sostiene?, ¿cuáles ayuda a evitar?, ¿cómo puede servir para extender la socialidad editorial que argumentaba Breton? Una manera interesante de pensar este tipo de cuestiones, aunque sea un poco extraña, sería remitirse al comentario de Agamben acerca de las investigaciones sobre las garrapatas de Jakob Johann von Uexküll (2006). Tal y como Uexküll la describe, la garrapata está completamente abierta al mundo. Pero hay que decir también que su apertura se constituye en una manera bastante limitada: sentir el movimiento de la sangre cálida de un mamífero sobre el que dejarse caer y, una vez succionado su necesario alimento, morir. En esta versión de lo abierto, no se trata de una capacidad ilimitada de devenir y transformarse, sino más bien de la capacidad que el organismo tiene de interactuar con su mundo particular. No es por tanto cierto el afirmar que la garrapata no está abierta al mundo; lo está tanto como puede, sosteniéndose mediante esa relación con el mundo.

10. La insurrección de los editados debe comenzar por esas preguntas. ¿Cuál es la apertura al mundo producida mediante las relaciones sociales editoriales en las que actualmente nos encontramos? Esto no se puede responder analizando las políticas de producción mediales por sí solas o el mero trabajo implicado en la producción de los medios, no importa cúan político o no cada caso nos parezca. La cuestión es más bien cuál es la ecología medial de las políticas editoriales que está inserta a su vez en ecologías más amplias de producción, circulación, distribución y consumo medial, en una era en la que la diferencia entre estas acciones antes distintas entre sí tiende crecientemente a disiparse. No se trata sencillamente de cuál es el mejor modo de organizar la producción editorial y medial autónoma, aunque eso sea una tarea importante, sino también de cuáles son las mejores maneras de organizar los públicos y los undercommons (Harney y Moten, 2013) que se articulan mediante la producción medial, los cuales a su vez realimentan y sostienen el desarrollo continuo y el mundo de vida de la producción medial autónoma. Como Breton diría todavía hoy, se publica para encontrar camaradas, pero no meramente para encontrar camaradas como consumidores de información o medios, sino más bien co-conspiradores y cómplices.


Referencias:

Agamben, Giorgio (2006), Lo abierto. El hombre y el animal, Buenos Aires: Adriana Hidalgo.

Batterham, David (2011), Among Booksellers: Tales Told in Letters to Howard Hodgkin, York: Stone Trough
Books.

Breton, André (1997), citado en Gareth Branwyn, Jamming the Media: A Citizen’s Guide Reclaiming the Tools of Communication, Vancouver, Chronicle Books.

Dean, Jodi (2013), El horizonte comunista, Barcelona: Bellaterra.

Duncombe, Stephen (2008), Notes from the Underground, Bloomington: Microcosm.

Hall, Gary (2008), Digitize This Book! The Politics of New Media, or Why We Need Open Access Now, Minneapolis: University of Minnesota Press.

Harney, Stefano y Moten, Fred (2013), The Undercommons. Fugitive Planning & Black Study, Oakland: Minor Compositions, AK Press.

Helprin, Mark (2009), Digital Barbarism: A Writer’s Manifesto, New York: Harper.

Henwood, Doug (2003), After the New Economy, New York: New Press.

Kluge, Alexander y Oskar Negt (1993), The Public Sphere and Experience. Towards and Analysis of the Bourgeios and Proletarian Public Sphere, Minneapolis: The University of Minnesota Press.

Lanier, Jaron (2013), Who Owns the Future?, London: Penguin.

Ludovico, Alessandro (2012), Post-Digital Print – The Mutation of Publishing since 1894, Eindhoven: Creating 010.

Stewart, Sean (2011), On the Ground, Oakland: PM Press.
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[1] Hay una cantidad inmensa de investigación académica que en múltiples campos ha explorado precisamente estas cuestiones, desde el trabajo de Habermas sobre el surgimiento de la esfera pública burguesa, pasando por la noción de esfera pública proletaria de Kluge y Negt (1993), hasta la actualización y expansión de la teoría de la esfera pública por Michael Warner y Nancy Fraser.

lunes, 27 de abril de 2015

Guerrero en tension por protestas de los normalistas

Vuelve la represion en Ayotzinapa, tras protestas por 7 meses de la desaparicion de los 43 estudiantes. Quieren paz justicia y aparicion con vida de los 43, en Goo...   aparentemente desde 2014 no pasa nada...hay libertad de prensa??:





En el lugar de las protestas quedaron destrozados los cristales de algunas oficinas del Congreso. A siete meses de la desaparición de los estudiantes normalistas de Ayotzinapa, la tensión continúa en Chilpancingo, capital del estado de Guerrero (sur), tras las protestas y represión policial que se generaron este domingo en esa zona. → Lea: Mexicanos proponen la revocación de mandato contra Peña Nieto Al menos seis camionetas de empresas repartidoras fueron incendiadas; tres en la explanada del Congreso del estado, por contingentes de la Coordinadora Estatal de Trabajadores de la Educación (Ceteg), del Movimiento Popular de Guerrero (MPG) y de la Federación de Estudiantes Campesinos Socialistas de México (Fecsm). Cientos de policías estatales y federales arremetieron la víspera contra los padres de familia de los 43 normalistas de Ayotzinapa desaparecidos, y los otros manifestantes, quienes fueron dispersados con gases lacrimógenos dejando un saldo de tres estudiantes heridos. Como parte de las actividades para conmemorar los siete meses de la desaparición de los 43 de Ayotzinapa, activistas colocaron un “antimonumento” en honor a los normalistas en el Paseo de la Reforma, en Ciudad de México (capital).

Este contenido ha sido publicado originalmente por teleSUR bajo la siguiente dirección:
http://www.telesurtv.net/news/Mexico-Guerrero-en-tension-tras-protestas-por-normalistas-20150427-0036.html. Si piensa hacer uso del mismo, por favor, cite la fuente y coloque un enlace hacia la nota original de donde usted ha tomado este contenido. www.teleSURtv.net
En el lugar de las protestas quedaron destrozados los cristales de algunas oficinas del Congreso. A siete meses de la desaparición de los estudiantes normalistas de Ayotzinapa, la tensión continúa en Chilpancingo, capital del estado de Guerrero (sur), tras las protestas y represión policial que se generaron este domingo en esa zona. → Lea: Mexicanos proponen la revocación de mandato contra Peña Nieto Al menos seis camionetas de empresas repartidoras fueron incendiadas; tres en la explanada del Congreso del estado, por contingentes de la Coordinadora Estatal de Trabajadores de la Educación (Ceteg), del Movimiento Popular de Guerrero (MPG) y de la Federación de Estudiantes Campesinos Socialistas de México (Fecsm). Cientos de policías estatales y federales arremetieron la víspera contra los padres de familia de los 43 normalistas de Ayotzinapa desaparecidos, y los otros manifestantes, quienes fueron dispersados con gases lacrimógenos dejando un saldo de tres estudiantes heridos. Como parte de las actividades para conmemorar los siete meses de la desaparición de los 43 de Ayotzinapa, activistas colocaron un “antimonumento” en honor a los normalistas en el Paseo de la Reforma, en Ciudad de México (capital).

Este contenido ha sido publicado originalmente por teleSUR bajo la siguiente dirección:
http://www.telesurtv.net/news/Mexico-Guerrero-en-tension-tras-protestas-por-normalistas-20150427-0036.html. Si piensa hacer uso del mismo, por favor, cite la fuente y coloque un enlace hacia la nota original de donde usted ha tomado este contenido. www.teleSURtv.net

domingo, 26 de abril de 2015

El secreto crea la impunidad


Siguiendo lo publicado ya aqui en otras notas sobre la evasion y las mentiras del sistema financiero internacional, pense que este hombre tenia algo a decir.

Abrazos,
Santiago

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EL PAIS › EL INGENIERO INFORMATICO HERVE FALCIANI 
CUENTA LAS CLAVES DE SU INVESTIGACION SOBRE EL HSBC

Sus revelaciones sobre el sistema financiero internacional conmovieron al mundo y desataron investigaciones judiciales en varios países, incluida la Argentina, donde además se conformó una comisión parlamentaria para estudiar los mecanismos de lavado de dinero y fuga de capitales. Falciani acaba de publicar un libro donde cuenta su aventura en “el corazón del escándalo HSBC”, y propone medidas para aumentar el control sobre los bancos. De todo ello habla con Página/12.

 Por Eduardo Febbro
Desde París




La isla Bouvet es un paraíso para focas, pingüinos, leones de mar, pájaros de ensueño y plantas. En este lugar inhabitado del planeta, situado entre el Antártico y Africa, no hay ni una sola casa, ni la sombra de un alma humana. Sin embargo, existe un habitante con domicilio declarado en esta isla cuya superficie está cubierta de hielo la mayor parte del año: es uno de los más de 130.000 ciudadanos evasores fiscales que abrieron una cuenta en uno de los bancos más grandes del mundo, el HSBC. Este improbable habitante de la isla Bouvet forma parte de la trama planetaria de fraude y evasión fiscal montada por el HSBC y denunciada, con nombres completos, montos y países de donde provienen, por el ingeniero en sistemas informático franco italiano Hervé Falciani. Ex empleado de la sucursal ginebrina del HSBC entre 2001 y 2008, Falciani facilitó a varios países la lista de los evasores fiscales y los métodos diseñados por este banco para facilitar esta operación ilícita de alcance prácticamente planetario. A la Argentina, a través del Estado francés y del jefe de la Administración Federal de Ingresos Públicos (AFIP), Ricardo Echegaray, Falciani le entregó información sobre la fuga de los 3500 millones de dólares que se volatilizan cada año así como la lista de los 4000 argentinos con cuentas en el HSBC. Su historia es una novela policial y con ese pulso la cuenta en el libro que acaba de publicar en Francia: Terremoto en el planeta financiero. En el corazón del escándalo HSBC.
Hervé Falciani vive entre varios mundos. Se ha convertido en una suerte de nómada perseguido por la Justicia suiza y alabado por otras. Poder encontrarse cara a cara con él es ya toda otra novela. Nadie diría que este joven esbelto que ahora conversa con soltura, impecablemente vestido, con modales delicados y cara de galán de cine es uno de los hombres que hizo temblar los cimientos de uno de los bancos más poderosos de la tierra. Su libro narra desde las entrañas los montajes fabulosos del HSBC y otros bancos para evadir impuestos, el papel destructor de las multinacionales, los sistemas judiciales y los funcionarios corruptos, los policías a sueldo del sistema financiero, la telaraña de los intermediarios, la guerra interna en la profundidad de los Estados entre corrompidos y honestos, la ceguera voluntaria de los controladores y la frondosa gama de herramientas que la informática brinda para robar con total impunidad. Es el relato policial de un sistema compuesto por ladrones y el de un hombre controvertido que lo puso al desnudo. Hervé Falciani es más que el Edward Snowden del HSBC. Es el hombre que le dio identidad a la sombra de la sospecha.
Varias versiones circulan sobre su actuación. Su ex compañera, la franco libanesa Georgina Mikhael, asegura que Falciani “no es un Robin Hood sino un ladrón que robó datos y luego quiso negociarlos”. No hay pruebas de esa acusación. Lo cierto es que Falciani viajó al Líbano para hacer circular su lista, luego a Francia, donde fue arrestado, al fin a España, donde también fue arrestado. Sobre él se dice de todo, pero lo trascendente es que Falciani reveló la información más importante sobre evasión fiscal que se conozca hasta hoy, así como la metodología bancaria con que se organiza. España, Estados Unidos, Portugal, Argentina, México, Francia, Venezuela, Luxemburgo, Bélgica, no hay país que no tenga su club de evasores patentados y su agente local, el HSBC. Los españoles de la lista Falciani tenían, por ejemplo, 1800 millones de dólares atesorados en Suiza. En esta entrevista exclusiva con Página/12, realizada en París, Hervé Falciani vuelve sobre este camino sembrado de estafadores, mentirosos y ladrones internacionales impunes.

Argentina y el mundo

–Usted trató con varios sistemas judiciales, con muchos jueces y policías. ¿Cómo resultó su colaboración con la Argentina?
–En Argentina me encontré con un equipo excepcional, tanto por la rapidez de la acción como por la diversidad de los medios de trabajo que se pusieron en juego. Sé que no será fácil avanzar, hay muchos obstáculos, pero también una gran posibilidad de acción desde la Argentina. En Brasil, México o Venezuela, en suma, en buena parte de América latina, se debe conocer lo que pasa y observar cómo se actúa en la Argentina. Debo señalar que la mayor resistencia se encuentra en Europa, no en América latina. Lo que suceda en América latina y en los Estados Unidos va a darnos un mayor campo de acción. Hay que entender que existen lugares, y entre esos lugares América del Sur, donde, pese a todo, hay menos corrupción y, por consiguiente, son muy prometedores para la acción judicial. Una vez más, incontestablemente, la Argentina es un país que, en cuanto tomó conciencia de lo que estaba en juego, actuó más rápido y con más fuerza.

–Una de las revelaciones de su libro contradice lo que se sabía o se pensaba, e incluso lo que afirma la Justicia suiza. Usted sostiene que no actuó solo en esta trama, que con usted trabajó una red. Si es así ¿cuál fue la meta de esa red y quiénes son sus integrantes?
–Es el caso típico del progreso humano: se empieza por uno y se termina con mil. El caso HSBC fue el elemento que atrajo a unas 150 personas que se pusieron a colaborar juntas. Uno empieza solo y luego termina acompañado. Ese es el sentido de la red. Nada se puede hacer si uno está solo. Hay un momento en que coinciden las voluntades. Lo que constituye la red es la diversidad, la comunidad de la acción para ir en la misma dirección. Para mí ha sido una aventura excepcional porque había muchas cosas en juego.

–¿Cómo consiguió salir con vida, eludir las amenazas, los servicios secretos, el alcance inaudito de los bancos, la calumnia, los intereses de los Estados y de los poderes económicos?
–Es un caso particular, y también está el grupo. Lo importante es también no tener miedo. Yo siempre pedí ayuda y busqué las competencias que me faltaban. No hubo un control único. Si hubiese habido un arquitecto, si hubiese habido un organizador central, esa persona estaría hoy muerta. Pero éramos varios. Yo siempre busqué que el control de la información fuese compartido. Diría que lo que me salvó fue precisamente la pérdida de control. Todas las ramificaciones judiciales o políticas que se desarrollarán serán posibles porque esto no depende de una sola persona. Desde luego, lo que me permitió salir con vida, a mí y a otros, es haber golpeado las puertas allí donde había un elemento sensible, una posibilidad de acción. Cuando viajé al Líbano fue para utilizar el arma del secreto fiscal contra el sistema para que se abra al fin una investigación. Cuando fui a España, eso sirvió para presentar ante la Justicia los elementos de prueba de que disponía. En España me pusieron preso, pero no hay que olvidar que la cárcel también está hecha para proteger. En la cárcel me pude entrevistar con funcionarios y magistrados muy valientes. España cuenta con un sistema jurídico que permite también lanzar una investigación. Esto dio lugar a que Francia nombrara un juez para investigar. En realidad, ese es el método con el que trabajan los bancos para sus clientes: buscan el lugar en el cual pueden saltar por encima del problema. Tal vez dentro de algunas semanas viaje a otro país.

 

El sistema HSBC

 

–Si nos atenemos al corazón del escándalo, o sea, la evasión fiscal organizada por un banco, se puede decir que el HSBC es una lavadora de dinero que debió ir a los impuestos.
–Es más que esto. El HSBC es un sistema para borrar las huellas. Por ejemplo, yo entré a trabajar a ese banco para que este banco cumpla su función. Pero luego interviene otro elemento que se explica por un solo término: la corrupción. Digamos que se trata de “un archivo corrompido”. Y un archivo corrompido es un archivo que no cumple más con su misión. La corrupción consiste entonces en no cumplir con la misión inicial. Y el banco era exactamente eso: cuando el banco dejó de cumplir con su misión de control se volvió una lavadora. Todo lo que, en principio, debe ser impedido mediante los controles internos no lo es, está corrompido. Por ejemplo, quienes hacen las auditorías miran lo que está delante de ellos y no lo que está al costado. Y hay que actuar para que esto cambie. Si no hay voluntad política no habrá una necesidad reglamentaria real. Sólo habrá impunidad. Esos bancos, que ya con lo que es legal pueden actuar de forma amoral, van a actuar también de manera ilegal gracias a la impunidad. Algún día habrá que romper ese círculo. La única manera de hacerlo es rompiendo el secreto.

–¿Cuál es el modelo, el patrón de la evasión fiscal organizada?
–El fraude fiscal es, de hecho, una cuestión de ingeniería judicial o jurídica. Por ejemplo, en lo que atañe a lo judicial, el fraude se realiza cuando se frenan las investigaciones, cuando las comisiones rogatorias y otros pedidos quedan en la nada. Y en lo que toca a lo jurídico, es más simple: basta con desviar o alterar el sentido de las reglamentaciones y, a partir de allí, lanzar un nuevo servicio y comercializarlo. El fraude fiscal se construye gracias a la ausencia de controles, así como a partir de la complejidad de los dispositivos financieros que los bancos inventan. Cuanto más complejo es, más difícil resulta detectar o desmontar el fraude. Hoy tenemos la prueba absoluta de que esa falta de controles fue voluntaria. Por eso escribí este libro, para explicar qué se puede cambiar y cómo. Es un libro de combate, un libro de inteligencia económica para que se pueda ampliar el combate.

–A ver, cito un ejemplo de su libro: usted cuenta que las informaciones sensibles que detenta un banco, en este caso el HSBC, están deslocalizadas. O sea: toda la información comprometedora se manda a la cloud (la nube), al mundo sin fronteras de la red, y a otras zonas del mundo. Es un caso claro de ocultación de la información.
–En el HSBC había un proyecto llamado “Zorro”. Este proyecto consistía en identificar los datos que se podían enviar al extranjero y deslocalizar la información que estaba en Zurich o Ginebra para enviarla a Asia. Por ejemplo, muchos elementos del back office partieron a la India. El banco HSBC posee la red de computadoras privadas más grande del mundo, el HSBC Net. Era muy simple transferir dinero a través del mundo sin que jamás ese dinero saliera del banco y sin que hubiese la más mínima huella de la transacción. Esta se hacía sin recurrir al código Swift, que es el código de 8 cifras que se usa para identificar los giros internacionales. Cuando una administración fiscal le pedía a Suiza información sobre una cuenta bancaria, esta última decía “no”. ¿Qué quiere decir este “no”? Quiere decir que la información estaba en el banco y que la administración fiscal suiza tiene muy poco control sobre lo que pasa en los bancos. También está Bélgica, que es un poco el hermano menor de Suiza. El caso de Bélgica es un tema central para todos los negocios. Por suerte, hay dos jueces capaces de lanzar investigaciones que conciernen a miles de millones de dólares. Hace poco vimos cómo el responsable de las investigaciones sobre el mercado de diamantes en Bélgica fue preso por corrupción.

–En suma, todo apunta a probar que se trata de un sistema orientado a captar el dinero de la corrupción en los diferentes puntos del globo.
–Eso es precisamente lo que muestran las investigaciones en curso. Yo lo viví desde el interior. Hoy hay una enorme porción de la economía financiera que se nos escapa. Miles de millones de dólares pasan por los bancos. Las comisiones sobre las ventas de armas o petróleo, las coimas, el dinero de los mafiosos o de la corrupción política, todo pasa a través de los bancos. Las exigencias a las que responden estas operaciones son cualquier cosa menos morales.

El triángulo en las sombras

–Hay un triángulo: bancos, multinacionales, Estados. Un poder en las sombras, que usted describe paso a paso, que amenaza los principios mismos de la igualdad democrática.
–Este triángulo funciona a la perfección justamente porque cada parte tiene competencias complementarias. El papel de las multinacionales es determinante. Las multinacionales, por ejemplo, pactan acuerdos que se llaman tax ruling. Este dispositivo legal le permite a una empresa conocer por adelantado cuál será su tratamiento fiscal en un Estado determinado. Entonces, cuando una multinacional establece un acuerdo de tax ruling el dinero que no se le paga a los Estados termina en lugares donde no se abonan impuestos. Todo esto funciona mediante el secreto, y el secreto crea la impunidad. Por eso yo hablo de combate. En el medio ambiente mundial, el actor que modela la democracia es el banco, no el elector. Estamos avanzando cada vez más hacia una democracia corrompida. Es un esquema particular, un poco como en esas películas que se hacen ahora para los adolescentes, The Hunger Games por ejemplo, donde se muestran ciudades totalitarias. Vamos hacia eso: no es exactamente una dictadura, no es del todo una democracia, es algo intermedio. En este caso también debemos llevar a cabo acciones operacionales. El hecho de que las multinacionales tengan la posibilidad de sacar el dinero de un país sin pagar impuestos, o sea, de deslocalizar los beneficios, no se puede tolerar. Es preciso actuar. Si una empresa puede evitar la presión fiscal ya no estamos más en democracia. Para mí ha sido esencial luchar contra ese autoritarismo, es decir, contra el secreto. El secreto de las tax ruling, de los acuerdos, el secreto de la tecnocracia.

–Hay un cinismo fundamental de Occidente: los grandes bancos mundiales son occidentales, los países que son auténticas lavadoras de plata sucia, Suiza, Bélgica, Luxemburgo y Gran Bretaña, son grandes democracias de Occidente. Y encima, el actual presidente de la Comisión Europea, Jean-Claude Juncker, es el ex primer ministro de Luxemburgo que organizó y defendió con uñas y dientes el fraude fiscal en contra de sus socios europeos.
–Sí, tenemos un poder corrupto, un poder que no cumple con su misión, que no está al servicio de todos sino de ciertos intereses particulares, intereses que pueden ser incluso de los narcotraficantes. Las democracias funcionan con intereses pervertidos, corrompidos. Hay que preguntarse si existe algo que se oponga a esas acciones. En Europa hoy hay alguien que se opone a todo esto: se trata de Grecia. Atenas denuncia en voz alta lo que hicieron otros ministros, como el ministro de Defensa que firmó contratos con Siemens a través de bancos franceses en Suiza. La pregunta más importante es: ¿quién va a apoyar la iniciativa griega en el mundo? Hay que intervenir, hay que votar leyes para contraatacar y desmontar esa tecnocracia que prospera con la complejidad. Debemos comprender que todos estos acontecimientos no son una invitación a resignarse sino a observar cuál es el eslabón débil.

–Usted habla en su libro de “vías alternativas”. ¿Cuáles son?
–Para empezar, está la comprensión del sistema. Cuando se escribe un libro sobre la evasión fiscal, sobre la opacidad financiera, se está mostrando que los flujos financieros no se pueden controlar, que hay una voluntad de no controlarlos. No hay que esperar que cambie por sí solo un sistema tan eficaz. ¿Qué nos queda entonces? Se montó toda una ingeniería para deslocalizar los beneficios. Lo que habría que hacer entonces es terminar de una buena vez con esa estrategia fiscal basada en los beneficios. No somos nosotros quienes nos beneficiamos con las riquezas, sino las empresas. Y fue el impuesto sobre las empresas y los beneficios el que permitió ese robo. Debemos entonces destruir este principio. Los bancos no ganan plata con los beneficios de los clientes sino con las comisiones que cobran por las transacciones. Podríamos inspirarnos en los predadores para ser tan fuertes como ellos. Francia, por ejemplo, es un paraíso fiscal menos eficiente que el modelo suizo. Para los ciudadanos, Francia es un infierno fiscal, para las empresas no. Otra vía alternativa consistiría en que se vote una ley para proteger y compensar a quienes revelan informaciones sobre empresas o prácticas que son desleales con la economía del país. Esto sería un arma eficaz contra la impunidad. La Argentina podría dar un ejemplo mundial con una ley así. Sin embargo, hoy debemos reconocer que nuestros enemigos son más fuertes. El dinero no es un referente moral sino un referente operativo. Insisto en esto: todo el problema que tenemos proviene del secreto. Si no le ponemos fin al secreto todo esto se seguirá desarrollando y nos perjudicará siempre más. No hay alternativa.

martes, 14 de abril de 2015

Mas allá...

...estara en este momento Eduardo Galeano, te recordaremos por siempre parpadeando, ya que tu fuego encendia...y encendera por siempre..


Abrazos,

Santiago